ela disse que nunca amaria novamente. criou um escudo e afastou-se. manteve-se fechada e levantava a guarda sempre que reparava em qualquer sinal de aproximação. não queria mais ninguém na sua vida, mais ninguém para fazer promessas e quebrá-las depois, ninguém a quem iria entregar seu coração e mais tarde recebê-lo de volta ainda mais ferido. ninguém. aos poucos, foi alcançando a perfeição, até que não sentia mais nada. o vazio já atormentava, mas foi a sua escolha, era o preço que deveria pagar.
então alguém chegou. já cansada de fazer tudo igual, decidiu abrir a porta. queria correr riscos mais uma vez, queria de volta o friozinho na barriga, queria sentir o arrepio do medo, queria provar do desconhecido. arriscou, sabendo o quanto poderia perder. mas e daí? deixou com que as coisas fluíssem, sem impedimentos. ouviu os seus instintos, as suas vontades… obedeceu a todas elas. e então amou, mesmo dizendo que nunca amaria novamente.

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